Antes
de mais nada, deve-se estabelecer um contato com os fenômenos
dos astros. Para tanto, o céu estrelado oferece tal
possibilidade. Há que se conhecer o alinhavado proporcionado
pelas estrelas, alinhavado que, desde a mais remota antiguidade,
recebeu o nome de constelações, ou, de modo
mais sofisticado, asterismos (...)
Dar os primeiros passos é aprender a distinguir os
astros e não a confundi-los com os fenômenos
atmosféricos ou, melhor ainda, com as espaçonaves
criadas pela tecnologia humana, inclusive luzes de aviões,
a fim de, inadvertidamente, atribuir-lhes a ocorrência
a origens extra-terrestres.
Mais ainda, é iniciar-se através da utilização
de binóculos, dirigindo-os para os inúmeros
objetos existentes no céu, como os aglomerados estelares,
a nebulosa de Órion, e outros. Depois é explorar
os recursos aparentemente inexistentes da pequena luneta,
frequentemente à venda. Mais tarde é saber como
posicionar um instrumento mais importante, um “equatorial”.
Não raro, o interessado tenta os primeiros passos através
de instrumento já possante, um telescópio de
200 mm. O campo de prospecção torna-se, então,
gigantesco e, não raro, impraticável, já
que ocorre a falta de experiência, de tarimba adquirida
seguramente (mas nem sempre devidamente bem avaliadas) através
de modestos meios ópticos.
Aparentemente insuficientes, a pequena luneta, o minúsculo
refrator, marcos iniciais nas primeiras alegrias de todos
os astrônomos, são eles superiores aos defeituosos
instrumentos dos tempos de Galileu, que, como sabemos, abriu
caminho às inúmeras descobertas que caracterizam
a ciência do céu.
Jean
Nicolini (Manual do Astrônomo Amador, 2ª Ed., Editora
Papirus) |